Escândalo

17/04/2026 16:08

Tem história que, quanto mais se mexe, mais cheira mal. No interior do Paraná, um médico ginecologista de 81 anos, que já foi deputado estadual, virou réu por violação sexual mediante fraude após atendimento a uma paciente de 24 anos na rede pública de Irati. A acusação é direta: teria se aproveitado da posição de confiança para praticar o crime, escudado em um suposto procedimento clínico. O detalhe que chama atenção e acende alerta é a ausência de registro eletrônico do atendimento. Em tempos de prontuário digital, sumir com o rastro do que foi feito dentro de um consultório público não é só falha burocrática, é peça-chave numa investigação desse tipo. O caso expõe algo maior que um episódio isolado. Quando o poder simbólico do jaleco se mistura com a vulnerabilidade do paciente, o limite entre cuidado e abuso precisa ser vigiado com rigor. E, ao que tudo indica, neste caso, o sistema só começou a funcionar depois que o dano já estava feito.