Greca: “eu não aceito”

16/04/2026 16:30

Nos bastidores da política paranaense, a entrevista de Rafael Greca ao jornalista Cantini deixou menos dúvidas do que recados. Greca até começa no tom protocolar — fala em “buscar o melhor para o Paraná”, acena para diálogo com Ratinho Junior, Sandro Alex, Guto Silva, Alexandre Curi e Álvaro Dias. Mas o que vem depois desmonta qualquer leitura de alinhamento automático. “Não aceito ser excluído do processo político”, cravou. Tradução livre: pode até ter foto de unidade, mas cadeira vazia ele não ocupa. Greca deixou claro que não entrou no jogo para compor — entrou para disputar. Disse que o próprio partido já bancou seu nome como pré-candidato e evocou a pressão popular, num discurso que mistura política e liturgia: da Catedral de Curitiba às missas com Padre Reginaldo Manzotti, segundo ele, a pergunta é sempre a mesma — “vai ser governador?”. No meio da resposta, o prefeito puxou o fio do “paranismo”, citando Alfredo Romário Martins e resgatando um Paraná simbólico, grande como pinheiros e perobas. É o estilo Greca: quando a política aperta, ele sobe o tom poético — mas o recado continua político. E o recado é simples: enquanto parte da base tenta costurar uma candidatura única em torno do nome escolhido pelo governador, Greca faz questão de marcar território. Não rompe, mas também não se submete. No fim das contas, a tal “unidade” da base governista segue sendo mais discurso do que realidade. E Greca, definitivamente, não pretende ser coadjuvante nesse roteiro.