Fissuras
15/04/2026 16:38
A tentativa de construir uma candidatura de consenso no grupo governista do Paraná já começa mostrando que a equação é mais complexa do que o discurso oficial sugere. Escolhido pelo governador Ratinho Junior como nome da continuidade, Sandro Alex tenta unificar a base, mas esbarra em um cenário marcado por interesses cruzados, disputas internas e pouca convergência política.
A estratégia de montar uma aliança ampla inclui lideranças de diferentes partidos e trajetórias, o que, na prática, evidencia mais uma necessidade de acomodação do que um projeto alinhado. Entre os nomes que orbitam essa composição estão o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, além de figuras como Guto Silva e Rafael Greca, todos com trajetórias políticas distintas e, em alguns casos, recentes movimentações partidárias.
A indefinição sobre cargos-chave, como a vice-governadoria, reforça que a candidatura ainda está em fase de negociação. Não há, até o momento, uma estrutura fechada — apenas um arranjo em construção, dependente de equilíbrios delicados entre lideranças que disputam espaço dentro do mesmo campo.
Outro elemento que chama atenção é a liberdade concedida para que aliados adotem posições diferentes no cenário nacional. A estratégia, embora funcional no curto prazo, pode cobrar seu preço adiante ao fragmentar o discurso e comprometer a coerência do projeto estadual.
Assim, enquanto o discurso público fala em unidade e continuidade, a realidade revela um grupo heterogêneo, ainda em busca de identidade comum. Mais do que consolidar apoios, o desafio de Sandro Alex será manter de pé uma base que, desde o início, já expõe suas fissuras.