Clima quente
14/04/2026 20:58
A sessão desta terça-feira na Assembleia Legislativa do Paraná teve menos de plenário e mais de mesa de bar — daquelas em que o tom sobe rápido e o bom senso sai pela porta dos fundos. No centro da cena, os deputados Tito Barrichello e Arilson Chiorato protagonizaram um bate-boca que constrangeu até quem já se acostumou com o clima quente da Casa.
O estopim foi o debate envolvendo o senador Sérgio Moro. Durante o momento destinado ao bloco de oposição — formado por PT e PDT — vieram críticas ao ex-juiz. O problema é que o PL, partido de Tito, resolveu entrar na conversa fora de hora. E aí, como se diz no interior, “deu ruim”.
Exaltado, Tito partiu para o ataque e chamou Arilson de “trapaceiro”. A resposta veio no mesmo tom: o deputado mandou que o colega “lavasse a boca” antes de repetir a acusação. Daí em diante, o debate virou confronto. Ambos se levantaram, apontaram o dedo, elevaram a voz e trocaram acusações em pé, frente a frente, como se o plenário fosse balcão.
Foi preciso o clássico “deixa disso” — colegas tentando apartar, conter, esfriar — para evitar que a situação saísse ainda mais do controle. Mesmo assim, o estrago estava feito.
Mas a temperatura não parou por aí. O episódio evoluiu para um embate mais amplo dentro do plenário, com o bloco formado por PL e Novo passando a reivindicar mais espaço de fala na Casa. O argumento era numérico: enquanto o bloco de oposição, composto por PT e PDT, reúne oito deputados, o grupo reivindicante soma 14 parlamentares. A conta virou combustível para mais tensão.
No meio desse cenário, o deputado Jacovós também se exaltou, ampliando o clima de confronto e dando ainda mais volume a um plenário já tomado por interrupções, vozes elevadas e disputas por espaço.
O resultado foi um retrato raro — ou talvez nem tanto — de uma Assembleia que já foi marcada pela previsibilidade e por uma certa passividade, quase sempre rompida apenas pelo bloco de oposição. Agora, o que se vê são diferentes frentes em disputa, cada uma tentando marcar território.
Se o episódio desta terça-feira serve de termômetro, o recado é claro: o ano legislativo promete ser menos protocolar e muito mais tenso, com impasses frequentes e um ambiente político cada vez mais fragmentado dentro da própria Casa.