Se ‘entregou’
13/04/2026 16:46
Tem leitor que comenta. E tem leitor que se entrega. A redação da Gazeta do Paraná já aprendeu a diferenciar — e transformou isso quase num termômetro informal das próprias reportagens, especialmente aquelas que cutucam denúncias.
Funciona assim: quanto mais inflamado, indignado e “técnico” o comentário, maiores as chances de haver ali algum tipo de vínculo com o alvo da matéria. Não é teoria. Já aconteceu mais de uma vez. Lê-se o comentário, puxa-se o fio do nome… e pronto: a pessoa está, de algum modo, conectada ao caso ou a quem está sendo citado.
No episódio mais recente, envolvendo a empresa CIS e o nome de Glauber Garbim, não foi diferente. Entre os comentários, um texto longo, emotivo, quase um manifesto contra o “sensacionalismo no jornalismo”. Assinado por uma tal Sabryna — com Y, detalhe que ajuda na busca. Bastou apurar um pouco e, batata: Sabryna aparece como sócia de Glauber.
A pergunta que fica não é sobre o comentário em si, mas sobre o alcance dessa relação. Até onde vai o envolvimento dela com as supostas irregularidades apontadas? Essa resposta não vem de comentário — vem de apuração. E é nisso que a Gazeta segue.
Sem sensacionalismo. Mas também sem confundir jornalismo com publicidade. Porque, para quem acha que notícia só presta quando é elogio, qualquer incômodo vira “exagero”. Já para quem está no radar dos fatos, às vezes o impulso de comentar diz mais do que mil documentos.