Lava Jato “ecoa”

10/04/2026 15:17

O ex-deputado e empresário Tony Garcia voltou ao debate público para comentar a promoção de Januário Paludo à subprocuradoria-geral da República. E, como já virou hábito, puxou o fio de uma narrativa conhecida: a crítica ao que chama de “método lavajatista” de condução de delações premiadas. Sem entrar no mérito da promoção em si, o episódio revela mais sobre o clima político do que sobre o ato administrativo. A Lava Jato pode até ter saído do centro das manchetes, mas segue viva no discurso — especialmente quando antigos personagens reaparecem para reinterpretar o passado à luz do presente. O comentário de Garcia não é isolado. Ele se encaixa num movimento maior de revisão — ou disputa de versões — sobre o que foi a operação, seus métodos e seus efeitos. Cada fala, nesse contexto, funciona menos como novidade e mais como peça de um quebra-cabeça que ainda está longe de ser montado. No fim, a política brasileira segue nesse curioso estado de looping: o passado não passa, apenas muda de narrador.