Medo do rosa

10/04/2026 14:37

A história fica ainda melhor — ou pior, dependendo do ponto de vista. Tudo começou quando o general Joaquim Silva e Luna se viu retratado, em material crítico, usando roupa rosa. Uma provocação simbólica, ligada à pauta LGBTQIA+, dessas que circulam com facilidade nas redes e no debate político mais ácido. O que poderia ter sido tratado como sátira — ou, no máximo, ignorado — virou caso de Justiça. O general decidiu reagir judicialmente, alegando ofensa. Só que, no caminho, acabou esbarrando num problema maior: a interpretação da juíza de que a reação carregava traços de homofobia. E aí a coisa virou de ponta-cabeça. Porque, no fundo, o que estava em jogo não era a imagem em si, mas o incômodo com o símbolo. E foi exatamente isso que pesou. A decisão deixou implícito que o problema não está em alguém ser retratado de rosa — está em considerar isso ofensivo. Traduzindo: ao tentar transformar a cor em ataque, a reação acabou revelando mais do que a própria montagem. No fim, ficou a cena difícil de ignorar: um general acionando a Justiça por causa de uma roupa rosa e uma decisão judicial dizendo, em bom português jurídico, que talvez o incômodo não seja com a imagem — mas com o que ela representa. No Brasil atual, aparentemente, há quem enfrente qualquer crise… menos uma paleta de cores.