Fidelidade flexível

10/04/2026 14:11

A política tem dessas coisas: ontem era “excelente governador”, hoje virou “moleque” — e sem direito nem a aperto de mão. O deputado estadual Delegado Jacovós resolveu atualizar sua avaliação sobre o governo de Ratinho Júnior com uma rapidez que faria inveja a qualquer aplicativo de clima. Mudou o tempo político, mudou o discurso. Simples assim. Até outro dia, Jacovós era praticamente um garoto-propaganda informal da gestão. Agora, com a pré-candidatura do senador Sérgio Moro — também do PL — ganhando corpo, o deputado decidiu que era hora de reposicionar o GPS. E fez isso sem sutileza: elevou o tom, partiu para o ataque e ainda anunciou o rompimento simbólico com direito a veto de cumprimento. Nada muito surpreendente. A política paranaense, como se sabe, não é movida a convicções inabaláveis, mas a ventos bem calibrados. E, curiosamente, essa virada de chave acontece no mesmo momento em que cargos comissionados ligados ao PL começam a desaparecer da estrutura do governo estadual. Coincidência? Pode ser. Mas é daquelas coincidências que costumam ter CPF, cargo e exoneração no Diário Oficial. No fim das contas, Jacovós apenas seguiu o manual não escrito do jogo: quando o cenário muda, muda-se também o discurso. O problema é que, para quem assiste de fora, a cena fica com cara de reprise mal disfarçada. Porque no Paraná, ao que tudo indica, fidelidade política tem prazo de validade — e costuma vencer junto com a caneta que nomeia e exonera.