“Factoide”
07/04/2026 16:17
Sérgio Moro resolveu entrar na fase “isso nunca aconteceu — ou, se aconteceu, não vale”.
Ao chamar de “factoide” a lembrança de que acusou Jair Bolsonaro de tentar interferir na Polícia Federal, Moro parece apostar que o eleitor tem memória curta — ou paciência longa para revisões históricas em tempo real. Não é desmentido. É tentativa de desidratar o passado.
Na sequência, muda de canal sem intervalo comercial: ataca Luiz Inácio Lula da Silva, eleva o tom e entrega o pacote completo de indignação padrão. Até aí, tudo dentro do script eleitoral. O detalhe curioso é quando tenta costurar o argumento lembrando que André Mendonça foi indicado por Bolsonaro — uma espécie de “vejam bem” para não romper totalmente com quem já rompeu.
Mas o melhor vem no final. Perguntado sobre sua própria atuação em 2019, Moro fez o que muitos políticos fazem quando o terreno fica escorregadio: saiu de cena. Não respondeu e deixou a entrevista seguir.
Para quem critica “factoides”, ignorar perguntas inconvenientes não é exatamente um upgrade de versão. É só mudar o capítulo — e torcer para ninguém voltar páginas.