Plenário em chamas

07/04/2026 15:12

A Câmara de Curitiba resolveu trocar o regimento pelo ringue. Na sessão desta terça, o debate sobre um projeto virou pretexto para algo que já virou rotina: gritaria, rótulos e pouca disposição para discutir o que realmente importa. De um lado, vereadores chamando movimento social de “terrorista” e tratando adversário político como cúmplice de crime. De outro, a resposta veio no mesmo tom, com acusações de “criminalização da pobreza” e denúncias de perseguição ideológica. No meio disso tudo, o projeto virou figurante. O curioso é que ninguém ali parecia interessado em convencer — só em marcar posição para a própria plateia. O argumento virou acessório. O alvo passou a ser o outro vereador, não o texto em votação. Sobrou até para a presidência, que precisou lembrar o óbvio: existe Código de Ética. Quando precisa avisar isso em plenário, o problema já deixou de ser pontual. No fim, o projeto foi aprovado. Mas isso é detalhe. O que ficou foi a impressão de que o debate político na Câmara entrou de vez na lógica do “nós contra eles” — e saiu do campo da política para o da performance. Quem ganha com isso? Certamente não o eleitor.