Pressa e cautela
07/04/2026 14:25
O relator Márcio Pacheco não escondeu a pressa. Ao longo da sessão do Conselho de Ética, insistiu repetidas vezes na necessidade de avançar com o processo contra Renato Freitas, minimizando o debate sobre as imagens e reforçando que o colegiado “não está julgando vídeos, mas fatos”. Em mais de um momento, deixou claro que considera desnecessária a ampliação do material probatório e chegou a pedir prazo curto para eventual envio de novas imagens, numa tentativa evidente de evitar novos adiamentos.
O argumento do relator se apoiou também no tempo já decorrido. “Nós já estamos em abril, já são quatro meses percorridos”, afirmou, ao defender que o processo precisa ser concluído dentro de um prazo razoável e sem novas protelações.
Do outro lado da mesa, o presidente do Conselho, o deputado Delegado Jacovós, adotou tom distinto. Ao mesmo tempo em que manteve a oitiva, fez questão de registrar que não haverá atropelo e que o processo seguirá dentro dos prazos legais, inclusive com margem para extensão. “Nós temos prazo regimental, ninguém vai atropelar nada, vamos fazer tudo dentro da legalidade”, afirmou, ao lembrar que o conselho pode prorrogar o prazo por mais 30 dias, caso necessário.
O resultado foi um recado duplo dentro do próprio conselho: enquanto a relatoria acelera, a presidência sinaliza freio. No meio desse cabo de força, o processo segue andando, mas longe de qualquer consenso sobre o ritmo ou sobre a suficiência das provas.