Erro do estado, risco invisível

02/04/2026 17:44

O Estado erra. Isso não é novidade. Mas há erros que passam da conta — e esse passa. O jornalista Leonardo Sakamoto foi parar, por engano, na base nacional de procurados por homicídio. Não por investigação, não por suspeita. Por erro. Um erro burocrático, daqueles que alguém digita, ninguém confere e todo mundo finge que não viu. O CPF dele foi vinculado ao crime de outra pessoa, uma mulher condenada por assassinato. Resultado: Sakamoto virou, no sistema, um foragido perigoso. E sistema, como se sabe, não discute — executa. Vieram abordagens policiais armadas, identificação por câmeras, risco real. Não é figura de linguagem. É o tipo de situação em que um erro administrativo pode virar tragédia em segundos. O mais curioso — ou preocupante — é o tempo. A inclusão aconteceu em 2017. Só ganhou consequência prática anos depois, quando o mandado foi expedido. Ou seja: o erro ficou lá, quieto, esperando o pior momento para aparecer. A Justiça agora condena o Estado do Paraná. Reconhece o problema. E isso, como disse o advogado, é o primeiro passo. Mas há uma pergunta que continua no ar: quantos outros CPFs estão errados em algum sistema, esperando apenas o momento de virar abordagem policial? Porque, nesse caso, não foi só um erro. Foi um risco institucionalizado.