Não faz sentido, governador

01/04/2026 14:41

A fala do governador Ratinho Júnior sobre o fortalecimento do Republicanos escancara mais do que uma simples aliança: revela a dificuldade do Palácio Iguaçu em sustentar um nome competitivo dentro do PSD para a sucessão estadual. Sem mencionar diretamente a candidatura de Alexandre Curi, Ratinho tratou o movimento como “construção”, evitando assumir publicamente o que já é dado como certo nos bastidores: Curi deve deixar o PSD e disputar o governo pelo Republicanos. A cautela do governador não é casual. Ao não bancar o presidente da Assembleia como candidato do seu partido, Ratinho preserva espaço para um plano alternativo que vem sendo articulado discretamente. Esse plano passa por Guto Silva, hoje o nome mais próximo que ainda orbita o núcleo político do governador após a saída de Rafael Greca do PSD e a negativa de Eduardo Pimentel em assumir protagonismo na disputa. A tentativa é montar uma chapa com Guto ao governo e Cristina Graeml como vice, recém-filiada ao partido, numa estratégia de recomposição de forças. O problema é que, enquanto Ratinho fala em “prestigiar aliados” e “construir uma chapa”, o tabuleiro já se move em outra velocidade. A eventual candidatura de Alexandre Curi pelo Republicanos tende a nascer fora do controle direto do governador. E, no horizonte, desponta uma chapa que preocupa o entorno do Palácio: a combinação entre Alexandre Curi e Rafael Greca, que, segundo levantamentos recentes, aparece com maior viabilidade eleitoral. Nesse cenário, o discurso de Ratinho soa mais como contenção de danos do que liderança de processo. Ao mesmo tempo em que tenta manter a base unida, o governador vê seu grupo se fragmentar entre projetos paralelos. A “construção” mencionada por ele, na prática, revela um campo em disputa, onde aliados históricos começam a trilhar caminhos próprios e a sucessão de 2026 deixa de ser uma transição controlada para se tornar uma corrida aberta.