Ratinho, o quebra joelhos!
31/03/2026 19:00
Tem coisa que, no rádio, não é “exagero de personagem”. É método. E foi exatamente isso que protagonizou o apresentador Ratinho, dono de microfone poderoso e, ao que parece, de um novo manual de resolução de conflitos.
Sem contraditório, sem o alvo presente e com audiência garantida, Ratinho resolveu “mandar um recado” ao jornalista Marcos Formighieri. Não foi exatamente uma réplica. Foi mais didático: explicou, com riqueza de detalhes, como pretende agir caso encontre o jornalista. Falou em quebrar as pernas, especificou o joelho, mencionou um taco de beisebol já devidamente posicionado no carro. Planejamento não faltou.
Também apresentou a tese jurídica que embasa a estratégia. Como a justiça demora, melhor resolver por conta própria. É uma inovação relevante no campo do direito: a substituição do devido processo legal pelo “encontro casual” no estacionamento. Mais rápido, ao que tudo indica.
A justificativa veio no pacote. Segundo ele, houve quem “mexesse com a família”. Expressão ampla, elástica, que aqui ganha contornos mais concretos: trata-se de um jornalista cobrando um governador por irregularidades explícitas de gestão. Ou seja, aquilo que, em ambientes menos inflamados, costuma atender pelo nome de atividade jornalística.
Mas há uma vantagem nesse tipo de declaração. Ela elimina ambiguidades. Não é preciso interpretar nas entrelinhas, nem recorrer a especialistas. Está tudo dito de forma direta, com começo, meio e intenção. O recado não foi sussurrado, foi anunciado.
No fim, fica o registro. Em tempos de discussões sobre liberdade de expressão, limites institucionais e papel da imprensa, sempre ajuda quando alguém resolve contribuir com exemplos práticos. Alguns preferem artigos acadêmicos. Outros optam pelo rádio.