“Não gostam de mim”

27/03/2026 17:12

A filiação de Sérgio Moro ao PL veio acompanhada de um velho conhecido do discurso dele: o ataque direto à classe política. No vídeo publicado nas redes, Moro não economiza. Diz que o “sistema político não gosta dele”, acusa a manutenção de privilégios e pinta um cenário em que os políticos vivem às custas da população. É o roteiro clássico: de um lado, ele; do outro, “os políticos”. O detalhe é que, agora, ele é um deles — e está tentando liderar justamente esse mesmo ambiente que critica. Enquanto chama o sistema de privilegiado, articula chapa, negocia apoios e se lança pré-candidato ao governo. Enquanto fala contra a política tradicional, depende dela para viabilizar o próprio projeto. Ao lado de Flávio Bolsonaro, com nomes como Deltan Dallagnol e Felipe Barros no entorno, Moro tenta sustentar o discurso de outsider já estando completamente dentro do jogo. E talvez esteja aí o ruído que começa a aparecer. Porque, ao mesmo tempo em que ataca “os políticos”, enfrenta reação de prefeitos do próprio partido, que começaram a pedir saída após sua chegada. No fim, a contradição fica exposta: Moro critica a política… enquanto precisa dela para sobreviver dentro dela. E, nesse terreno, discurso sozinho costuma não segurar base.