Moro chega, o partido racha
25/03/2026 16:11
A filiação de Sergio Moro ao PL no Paraná não reorganizou o tabuleiro. Bagunçou. E rápido.
No mesmo dia em que o ex-juiz foi anunciado como pré-candidato ao governo, o então presidente estadual do partido, Fernando Giacobo, decidiu sair. Sem rodeio, sem ensaio. Avisou prefeitos, avisou aliados e deixou claro o motivo: não embarca no projeto Moro e permanece alinhado ao grupo de Ratinho Júnior.
Não é pouca coisa. Não se trata de uma divergência qualquer. É o presidente do partido no estado abrindo mão da própria sigla porque o candidato escolhido veio “de cima para baixo”, rompendo acordos locais e ignorando a engenharia política que vinha sendo costurada no Paraná.
E aqui entra o ponto que ninguém diz em voz alta, mas todo mundo percebe: Moro chega com força nacional, mas pisa em terreno que já tinha dono político. Não é um estado vazio. Há grupo, há base, há compromisso firmado. E isso não se desmancha com uma filiação em Brasília.
O movimento expõe mais do que uma troca de comando. Revela um choque de lógicas. De um lado, o projeto nacional do PL, que aposta no capital simbólico de Moro. De outro, a política real, aquela que se faz com prefeitos, deputados e alianças locais — e que, ao que tudo indica, não foi consultada na mesma intensidade.
Resultado: o partido ganha um candidato competitivo no papel, mas perde o próprio presidente no estado. Uma equação curiosa.
Sem drama, sem ataque pessoal, mas com um dado objetivo: quando a chegada de alguém provoca uma saída dessa magnitude, o problema não está só em quem sai. Está, sobretudo, na forma como alguém entra.
E, no Paraná, a política costuma cobrar esse tipo de detalhe.