Espionagem no plenário?

24/03/2026 15:03

No meio da sessão sobre segurança pública, o vereador de Curitiba Da Costa fez uma denúncia que passou quase como detalhe, mas não é. Segundo ele, agentes da Guarda Municipal, ligados ao setor de inteligência, estariam dentro do plenário monitorando sua atuação. “Lá em cima, na galeria, tinha guarda municipal à paisana filmando meu celular. Eu fiscalizo a guarda, não é a guarda que me fiscaliza”, disse. Não é pouca coisa. Se for verdade, não se trata de segurança. Trata-se de uso da máquina pública para vigiar parlamentar dentro da própria Casa. E aí a linha entre inteligência e intimidação começa a ficar perigosa. O secretário Rafael Viana reagiu com a negativa esperada. Disse que a inteligência “não segue pessoas, não faz dossiê” e que atua apenas no planejamento de operações. Mas o problema já não é só o fato. É o ambiente. Porque quando um vereador levanta, em plenário, a suspeita de estar sendo monitorado pelo Executivo, algo já saiu do trilho. E em política, muitas vezes, a percepção pesa tanto quanto a prova. No mínimo, alguém precisa explicar o que exatamente fazia um agente à paisana, em posição estratégica, registrando imagens durante a sessão. Ou a Câmara virou extensão da central de monitoramento e ninguém avisou.