Moro freia, Requião acelera

19/03/2026 17:36

Requião Filho viu a bola quicando e não perdoou. Ao saber que Sergio Moro pediu vista para adiar a proposta que endurece punições a magistrados corruptos, partiu para o ataque direto, sem floreio e com endereço certo. A proposta é simples na aparência e explosiva na prática: trocar a aposentadoria compulsória — hoje um prêmio disfarçado — pela perda do cargo sem salário em casos graves. É o tipo de pauta que constrange, porque separa discurso de prática. Moro diz que concorda com o fim da aposentadoria como punição máxima, mas quer calibrar: restringir a perda do cargo aos casos mais graves e, de quebra, proteger a magistratura de eventuais abusos. No papel, é ponderação. Na política, soa como freio. Requião Filho traduziu do jeito dele: lembrou o Moro da própria biografia e jogou a pergunta que fica ecoando. Se era contra a corrupção, por que segurar a votação? No fundo, o embate expõe mais do que uma divergência jurídica. É disputa de narrativa. De um lado, o ex-juiz tentando manter o discurso técnico. Do outro, um pré-candidato farejando contradição e transformando em munição. E, em ano pré-eleitoral, quem atrasa vira suspeito. Mesmo quando diz que só quer ajustar.