Machismo mata
18/03/2026 16:09
A Câmara de Guarapuava resolveu trocar o debate político por um tribunal de palavras — e, ao que tudo indica, o crime foi falar alto demais.
O vereador Professor Pablo (PP) puxou o gatilho institucional ao protocolar uma representação por quebra de decoro contra a vereadora Professora Terezinha (PT), depois de uma sessão que saiu do script e entrou no terreno do confronto direto. O motivo? Expressões como “machismo mata” e acusações duras dirigidas a colegas no plenário, em meio a um clima que já vinha azedando há dias. 
Nos bastidores, ninguém finge surpresa. A tensão vinha sendo cozida em fogo baixo e só precisava de uma frase para transbordar. Transbordou. E agora virou documento oficial, daqueles que podem terminar em processo disciplinar — ou em mais um capítulo de desgaste público do Legislativo. 
O curioso é o paradoxo: o que nasceu como denúncia de violência simbólica virou acusação formal de falta de decoro. Traduzindo: a Câmara discute menos o conteúdo do que foi dito e mais o tom. No vocabulário político, isso costuma ser o primeiro passo para transformar conflito político em crise institucional.
Enquanto isso, a Mesa Executiva, sob comando de Pedro Moraes, segura a bomba. Decide se arquiva, se apura ou se deixa a crise seguir seu curso natural — que, em política, raramente é silencioso. 
No fim das contas, Guarapuava assiste ao velho roteiro: quando o debate esquenta, a régua do decoro desce. E quase sempre desce seletivamente.