A conta chega
17/03/2026 18:04
Tem coisa que, quando sobe um degrau institucional, muda de nome. O que era “militância”, “mobilização” ou “ato político” passa a ser tratado pelo que de fato é — ou pode ter sido.
A decisão da 1ª Turma do STF de tornar réu Peterson Rocha Martins, ex-presidente do PL em Pinhais, joga luz justamente nesse ponto. Não se trata mais de narrativa, mas de processo. Segundo a denúncia aceita, houve movimentação de cerca de R$ 144 mil para organizar caravanas rumo a Brasília no contexto dos atos que tentaram tensionar — para dizer o mínimo — as instituições entre 2022 e 2023.
Os crimes apontados não são leves nem decorativos: associação criminosa, incitação e atuação contra os poderes constitucionais. E aqui mora o detalhe que muita gente prefere ignorar — quando a política cruza a linha e entra no campo penal, não adianta posar de indignado com a Justiça depois.
O voto de Alexandre de Moraes foi acompanhado por Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Não houve hesitação — e isso também diz algo.
No fim das contas, a conta chega. E, ao que tudo indica, com juros.