Travessia política
13/03/2026 17:08
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, decidiu atravessar o rio. Literalmente.
A ex-senadora por Mato Grosso do Sul anunciou que vai disputar uma vaga no Senado por São Paulo nas eleições deste ano. Segundo ela própria, o pedido partiu diretamente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A justificativa veio com poesia geográfica: São Paulo seria apenas “atravessar um rio, atravessar uma ponte”. Política, disse Tebet, é missão.
É possível. Mas convém lembrar que, na política brasileira, atravessar pontes costuma ter outro nome: mudança de praça eleitoral.
Tebet nasceu em Três Lagoas, foi prefeita da cidade e construiu sua carreira política no Mato Grosso do Sul, estado pelo qual foi eleita senadora. Agora, surge como candidata em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. Não é um detalhe trivial.
A operação tem lógica política evidente. Lula precisa fortalecer sua base no Senado e São Paulo virou terreno estratégico. Tebet, que ganhou projeção nacional na eleição presidencial de 2022, virou uma peça útil nesse tabuleiro.
Mas a pergunta que inevitavelmente surge é outra: quando um político muda de estado para disputar eleição, trata-se de missão ou de cálculo eleitoral?
A política brasileira já viu esse filme antes. Candidaturas importadas costumam nascer fortes no gabinete, mas precisam sobreviver ao teste das urnas — e da paciência do eleitor.
Porque ponte política até pode ser curta. O problema é convencer o eleitor de que ela não foi construída apenas para atravessar a eleição.