Marionete do Kassab
12/03/2026 09:02
Uma fonte graduada do Palácio Iguaçu resumiu à reportagem, sem rodeios, o clima nos bastidores do governo do Paraná: “o governador está desesperado”. Segundo esse interlocutor, Ratinho Júnior estaria hoje politicamente nas mãos do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.
O motivo seria a exigência de Kassab para que o candidato do grupo ao governo em 2026 seja Guto Silva. O problema, segundo a fonte do Palácio, é que o próprio Ratinho sabe que Guto tem baixíssima viabilidade eleitoral. A avaliação é de que empurrar essa candidatura seria enterrar o legado político do governador.
Mesmo assim, Kassab insistiria no plano. A razão seria estratégica: lançar Guto para usar a candidatura como moeda de negociação com o senador Sérgio Moro no rearranjo político de 2026.
A mesma fonte afirma que Guto se transformou numa espécie de operador direto de Kassab dentro do governo paranaense. Segundo o interlocutor, ele está no governo para monitorar e delimitar o Ratinho. Nos bastidores do PSD, a avaliação é que Kassab se encantou com o estilo político do secretário — visto por aliados como habilidade de articulação e, por críticos, como talento para manobras pouco ortodoxas.
Esse ambiente de desconfiança ganhou ainda mais peso após a circulação de conversas atribuídas a integrantes do núcleo político do governo envolvendo decisões estratégicas ligadas à Sanepar. Nos diálogos que vieram a público, surgem referências a esquemas e práticas que levantam suspeitas de corrupção e reforçam uma frase repetida nos bastidores de Curitiba: “quem manda de verdade no governo é o Guto”.
Dentro do Palácio Iguaçu, a leitura de aliados do próprio governador é amarga: Kassab sabe que Guto dificilmente se elege, mas isso não seria o ponto central. A candidatura serviria como peça de negociação num jogo maior — e o Paraná acabou virando o tabuleiro.