O boi fantasma

11/03/2026 13:17

A expressão parece saída de um causos do interior, mas virou caso de polícia. O Ministério Público do Paraná investiga um esquema curioso — e grave — que ficou conhecido como “boi fantasma”. A suspeita é simples de explicar e complicada de acreditar: animais que não existiam estavam sendo registrados oficialmente. Segundo o Gaeco, o esquema funcionava dentro do sistema da Adapar, responsável pelo controle sanitário do rebanho no estado. Uma funcionária pública cedida pela Prefeitura de Jaguariaíva teria inserido dados falsos no cadastro de gado, permitindo que bois inexistentes — ou vindos de outras regiões — aparecessem como animais regularizados. No papel, tudo parecia legal. Na prática, criava-se um passe livre para vender gado de origem duvidosa como se estivesse dentro das regras sanitárias. O esquema teria beneficiado uma empresa de leilões de Ibaiti, no Norte Pioneiro. E, segundo a investigação, os registros fraudulentos eram feitos em troca de propina. É o tipo de fraude que revela uma fragilidade conhecida: quando o controle depende de sistemas administrativos e da confiança em quem alimenta esses dados, um clique errado — ou pago — pode transformar papel em dinheiro. No caso do “boi fantasma”, o animal não existia. O lucro, ao que tudo indica, existia — e bastante.