Quem manda na ocorrência?
09/03/2026 06:50
A discussão pública entre o secretário de Defesa Social e Trânsito de Curitiba, Rafael Vianna, e o vereador Da Costa ganhou novos capítulos — e daqueles que dizem muito sobre os tempos em que a política prefere resolver divergências em vídeo de rede social.
Segundo relato divulgado pela página XVCuritiba, a confusão começou após uma abordagem da Guarda Municipal de Curitiba no centro da capital. Dois guardas acabaram afastados da função depois do episódio que terminou com a prisão de um suspeito de tráfico de drogas.
O secretário Rafael Vianna saiu em defesa da decisão administrativa e argumentou que a condução da abordagem e a interferência de terceiros comprometeram o procedimento. Segundo ele, quando alguém é colocado contra a parede durante uma abordagem, a situação já configura ocorrência policial — e qualquer interferência externa pode “contaminar a cadeia de custódia” e colocar a operação em risco.
Até aí, trata-se de um debate técnico, ainda que feito em tom público.
O problema é que o vereador Da Costa resolveu responder no mesmo terreno: vídeo, rede social e linguagem nada diplomática. Disse que estava “expondo o tráfico” e ajudando a prender “vagabundo”, contestando a crítica do secretário e defendendo os guardas municipais envolvidos.
Resultado: a discussão saiu do campo institucional e virou espetáculo digital. De um lado, o secretário falando em protocolo policial e cadeia de custódia. De outro, um vereador reivindicando protagonismo na prisão de suspeitos.
A pergunta que fica é simples — e incômoda: numa ocorrência policial, quem conduz a ação?
Se cada autoridade resolver transformar abordagem policial em disputa política nas redes, a segurança pública vira palco, não política pública. E quando isso acontece, quem perde não é o secretário nem o vereador.
É a própria autoridade do Estado.