Afinidades políticas
06/03/2026 17:06
A notícia que circula nos corredores do poder em Curitiba é curiosa. Depois de ouvir um sonoro “não” de Deltan Dallagnol, o grupo de Guto Silva teria encontrado um novo — ou melhor, antigo — nome para a vice: o ex-presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano.
O detalhe que chama atenção é o ponto de partida dessa história. A rejeição ao nome de Guto parece ter chegado a um nível tal que nem mesmo Deltan, hoje politicamente na geladeira, teria demonstrado interesse em embarcar na empreitada. Não deixa de ser um termômetro.
Diante disso, a articulação teria sido conduzida por Márcio Nunes, um dos operadores políticos do grupo do governador Ratinho Junior. A solução encontrada atende a uma lógica conhecida da política paranaense: Traiano tem longa trajetória na Assembleia e trânsito entre prefeitos, especialmente no interior.
Mas o encontro dos dois nomes tem também outro elemento que não passa despercebido para quem acompanha a política estadual. Tanto Traiano quanto Guto já tiveram seus nomes associados a episódios que renderam investigações, denúncias e bastante desgaste público.
E é aí que a política revela uma de suas leis não escritas mais conhecidas: os que se assemelham se encontram.
Se a composição realmente avançar, o eleitor paranaense verá uma aliança construída menos por novidade e mais por familiaridade. Uma familiaridade que inclui articulação municipalista, bastidores bem conhecidos e um histórico suficientemente debatido no noticiário político.
No fim das contas, talvez seja apenas a velha lógica da política funcionando com precisão quase científica. Quando os caminhos se cruzam tantas vezes no passado, não chega a ser surpresa que acabem se encontrando de novo. Afinal, afinidade também é um critério de escolha.