Documento fantasma
05/03/2026 17:07
Circula nos gabinetes da Assembleia Legislativa do Paraná um texto sem autoria assumida tentando convencer deputados de que os problemas legais e técnicos da privatização da Celepar já estariam resolvidos. A peça, segundo denúncia divulgada nas redes por servidores e assessores que acompanham o tema, seria um material apócrifo distribuído nos bastidores da Alep para sustentar a narrativa de que não haveria mais riscos no processo.
O problema é que parte das afirmações do documento já foi desmentida por fatos.
Uma delas sustenta que os dados da segurança pública estariam protegidos em um suposto “bunker digital” sob controle exclusivo da Secretaria de Segurança Pública. A afirmação contrasta com apontamentos feitos pela 6ª Inspetoria do Tribunal de Contas do Estado, que identificou falhas e riscos na gestão e na proteção dessas informações.
Outro ponto questionado envolve o destino dos dados após a privatização. O governo chegou a informar ao Supremo Tribunal Federal que haveria contrato para transferir essas bases para o Serpro. A própria estatal federal, no entanto, negou a existência de qualquer contrato desse tipo.
Um pedido formal de informações reforçou a inconsistência: não há documento firmado para essa transferência.
Além disso, auditoria do Tribunal de Contas apontou dezenas de pontos críticos que ainda precisariam ser esclarecidos pelo governo, incluindo exigências relacionadas à Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD). Parte dessas questões segue sem resposta pública, já que o processo tramita sob sigilo imposto pelo relator.
Nos bastidores da Assembleia, a circulação de um texto anônimo tentando apresentar o caso como resolvido levanta suspeitas sobre a estratégia política em torno do projeto. Afinal, quando um argumento precisa vir sem assinatura, normalmente é porque ninguém quer assumir a autoria.