Nem cinco
05/03/2026 09:53
Na política, há momentos em que a reação diz mais do que os números.
Nos bastidores da eleição para o governo do Paraná, o que chamou atenção não foi exatamente a pesquisa registrada para medir o cenário eleitoral. O que chamou atenção foi o movimento para tentar suspender sua divulgação.
Quem tomou a iniciativa foi Luciano Ducci. Mas a pergunta que ecoa nos corredores da política paranaense é simples: por quê?
Porque, no fim das contas, Luciano não é personagem central dessa disputa. Não é ele quem aparece em situação delicada nos levantamentos. Não é ele quem precisa explicar números que mal encostam na margem de erro.
O ponto sensível da história está em outro lugar: o desempenho de Guto Silva.
Nos bastidores, o comentário é quase unânime. Mesmo com o apoio declarado do governador Ratinho Junior em alguns cenários de pesquisa, o secretário não consegue transformar essa associação em intenção de voto consistente. Pelo contrário. Em vários cenários o nome de Guto sequer alcança 5% das preferências.
É um patamar que, para um pré-candidato apresentado como aposta do grupo governista, soa mais como sinal de alerta do que como ponto de partida.
Daí a estranheza do movimento para tentar suspender a pesquisa.
Se o problema fosse metodológico, bastaria contestar os critérios. Mas quando a reação surge antes mesmo da divulgação dos números, o gesto acaba alimentando outra leitura: a de que o incômodo não está na pesquisa — está no retrato que ela deve mostrar.
E, nesse caso, a pergunta que fica no ar é inevitável.
Se Guto Silva já não vinha bem nas sondagens anteriores, por que agora o desempenho parece ter encolhido ainda mais?
Na política, às vezes o termômetro incomoda. Mas quebrar o termômetro nunca fez a febre desaparecer.