Cerco à IA

03/03/2026 14:05

O Tribunal Superior Eleitoral resolveu apertar o cinto — e não foi pouco. A corte aprovou, por unanimidade, regras específicas para o uso de inteligência artificial nas eleições de 2026. Traduzindo: acabou a farra tecnológica na reta final da campanha. Pelas novas normas, fica proibida a publicação, republicação ou impulsionamento de conteúdos produzidos ou alterados por IA nas 72 horas que antecedem a votação e nas 24 horas seguintes ao encerramento. É o chamado “período de silêncio digital turbinado”. A preocupação é clara: evitar enxurradas de deepfakes, vídeos manipulados e áudios fabricados na véspera do voto, quando não há tempo hábil para desmentidos. Mas não para por aí. O TSE determinou que o uso de inteligência artificial na propaganda eleitoral terá de ser informado de forma explícita. Nada de robô fantasiado de marqueteiro invisível. Transparência virou palavra de ordem. E tem mais um recado direto às big techs: empresas provedoras de IA não poderão sugerir candidatos nem emitir opiniões que indiquem preferência eleitoral — mesmo quando provocadas pelo usuário. Ou seja, chatbot não é cabo eleitoral. A decisão vem no momento em que o mundo inteiro tenta entender até onde vai o poder — e o risco — da inteligência artificial na política. O TSE, pelo visto, decidiu não esperar a bomba estourar para agir.