Traição anunciada
03/03/2026 08:11
O governo do Paraná tenta mais uma vez empurrar a privatização da Celepar goela abaixo da população. Mesmo após o Supremo Tribunal Federal suspender o processo por irregularidades e insegurança jurídica, o Executivo reenviou o projeto à Assembleia Legislativa em regime de urgência, numa manobra que, na prática, encurta o debate e atropela a transparência.
A justificativa oficial fala em “ajustes” no texto. Mas o que está em jogo não é detalhe técnico: é o controle de dados públicos, é patrimônio estratégico do Estado e é a forma como se conduz um processo que já nasceu sob questionamentos. Mudar a embalagem não altera o conteúdo. O risco permanece.
A pressa levanta suspeitas. Por que tanta urgência para votar um projeto que já foi alvo de decisão do STF? Por que não abrir discussão ampla com a sociedade, com especialistas em tecnologia e com os servidores da própria companhia? O histórico recente não ajuda. No caso dos pedágios, a promessa era de tarifas mais baixas e contratos mais vantajosos. A realidade mostrou outra coisa, e muitos dos que votaram a favor depois correram para posar de críticos.
A pergunta que fica é direta: os deputados vão repetir o roteiro? Aprovar em bloco, sob pressão do Palácio Iguaçu, e depois, quando os problemas aparecerem, ensaboar-se politicamente e alegar que “não era bem assim”?
A Celepar não é um ativo qualquer. Trata-se da empresa que concentra dados sensíveis da administração pública. Privatizá-la exige debate sério, técnico e transparente — não votação relâmpago.
O povo do Paraná está atento. E desta vez, a memória política pode ser mais longa do que alguns imaginam.