Nota fiscal da política
28/02/2026 10:08
Uma anotação manuscrita, um valor redondo e uma suspeita barulhenta. Bastou aparecer o registro atribuído a Flávio Bolsonaro citando um suposto pedido de R$ 15 milhões para que o deputado Marcos Pollon entrasse em modo defesa. Negou tudo, chamou de mentira espalhada e disse já estar acostumado com campanhas de difamação.
O roteiro é conhecido em Brasília: papel aparece, versão vaza, reação vem rápida. Pollon tenta baixar a temperatura, reafirma alinhamento com Flávio e diz que está à disposição do partido, inclusive para disputar o Senado. Traduzindo: nega o episódio, mas mantém o vínculo político.
O caso ainda está mais no terreno da narrativa do que da prova. Mas a simples circulação da cifra já cumpre seu papel. Em ano pré-eleitoral, números assim não explicam — contaminam. E, na política, às vezes basta a dúvida para fazer estrago.