PF mira braço político do crime

28/02/2026 10:06

A Polícia Federal subiu o tom e colocou um ex-chefe do Legislativo do Rio no centro de uma acusação explosiva. Rodrigo Bacellar, que presidiu a Alerj, foi indiciado sob suspeita de comandar o braço político do Comando Vermelho. Não é uma acusação periférica. Segundo o relatório, a liderança teria sido exercida desde que ele chegou ao topo da Assembleia. O enredo já vinha sendo desenhado. Em dezembro de 2025, Bacellar foi preso sob suspeita de vazar informações sigilosas da Operação Zargun. Saiu depois, mas monitorado por tornozeleira eletrônica. Agora, a PF consolida a narrativa: o elo entre crime organizado e poder institucional não seria pontual, mas estruturado. O caso tem peso porque desloca o debate do submundo para dentro das instituições. Não se trata apenas de investigar traficantes com mandato, mas de discutir a hipótese mais grave: a de um núcleo político funcionando como engrenagem de uma facção. Se confirmado, é a fotografia mais dura do colapso entre Estado e crime — aquela em que a fronteira deixa de existir.