Supremo puxa o freio da CPI

28/02/2026 01:48

Gilmar Mendes entrou em campo e suspendeu a quebra de sigilos de uma empresa ligada a Dias Toffoli e seus irmãos, aprovada pela CPI do Crime Organizado. Na decisão, o ministro foi direto: chamou a medida de “desvio de finalidade” e “abuso de poder”. Traduzindo do juridiquês: o Supremo entendeu que a comissão passou do ponto e tentou avançar além do que justificava o objeto da investigação. O recado não é só para o Senado. É também interno. Num momento em que o STF vive sob pressão política constante, Gilmar delimita território e lembra que CPI não é terra sem lei. Medidas invasivas, diz ele, precisam ter conexão clara com o que está sendo investigado. Sem isso, vira espetáculo. A decisão deve irritar parte do Congresso, que vê no Supremo um freio recorrente às CPIs mais ruidosas. Mas também expõe o clima de desconfiança cruzada em Brasília: Legislativo estica a corda, Judiciário corta antes de arrebentar. E, no meio disso, o país assiste a mais um capítulo da disputa permanente entre investigação política e controle constitucional.