Já que não voltou…

27/02/2026 16:48

A Polícia Federal fez um movimento silencioso, mas pesado, contra Eduardo Bolsonaro. A corporação afastou o ex-deputado do cargo de escrivão e mandou que ele devolva carteira funcional e arma. Na prática, um recado institucional. A decisão saiu no Diário Oficial e tem uma base burocrática simples: faltas não justificadas. Eduardo está nos Estados Unidos desde o início de 2025 e ignorou a ordem de retorno ao serviço, expedida em janeiro deste ano. O aviso era claro. Volta ou responde. Não voltou. O detalhe é que isso acontece depois da cassação do mandato pela Câmara, por excesso de ausências. Ou seja, a blindagem política caiu e o efeito dominó começou. Sem mandato, a vida funcional volta ao mundo real. Nos bastidores de Brasília, a leitura é menos administrativa e mais simbólica. A PF não costuma fazer movimentos desse tipo sem medir o impacto político. E o impacto é óbvio: atinge diretamente um dos filhos mais ideológicos do ex-presidente Jair Bolsonaro. Eduardo virou uma espécie de deputado em exílio informal. Atua, fala, articula, mas à distância. A diferença é que, agora, a distância começou a cobrar preço institucional. O afastamento não é uma demissão, ao menos por enquanto. Mas acende o alerta. Porque processos administrativos têm ritmo próprio e raramente voltam para trás quando entram nesse estágio.