O desembarque começou
27/02/2026 16:46
O Novo do Paraná dá sinais claros de que já não compra mais o projeto presidencial de Ratinho Junior. A mudança ficou evidente depois que Jeffrey Chiquini, hoje o principal formulador político do partido no estado, passou a defender publicamente um alinhamento total da direita em torno de Flávio Bolsonaro.
A leitura é simples e diz muito sobre 2026. Quando um partido ideologicamente rígido como o Novo começa a olhar para o clã Bolsonaro, não é por convicção súbita. É por cálculo. E o cálculo é o seguinte: dentro da direita, o voto raiz continua com os Bolsonaro.
Ratinho sente isso. E o entorno também.
A nova rodada da Paraná Pesquisas serviu como gatilho. Não apenas pelos números, mas pelo clima. No mundo real da política, pesquisa não mede só intenção de voto. Mede humor. E o humor indica que, se houver segundo turno ideológico contra Lula, a pressão por unificação virá de baixo para cima.
O Novo apenas se antecipou ao movimento.
Nos bastidores, aliados do governador ainda tratam como ruído. Mas é o tipo de ruído que vira tendência. Porque, quando um partido começa a reposicionar discurso, geralmente já está reposicionando alianças.
E ninguém muda de lado em ano pré-eleitoral por acaso.
O fato é que o projeto nacional de Ratinho Jr. depende de uma equação delicada: crescer sem romper com Bolsonaro e sem assustar o centro. Se a direita começar a fechar questão antes do tempo, essa equação deixa de ser matemática e vira sobrevivência política.
E aí não é só o Novo que desembarca. É a narrativa que começa a escapar.