Sem água, com bônus
26/02/2026 17:33
A frase correu o país: juiz de primeiro grau “não tem água nem café”. Veio da tribuna do Supremo, em defesa dos penduricalhos. Mas os números contam outra história. A ex-juíza Cláudia Márcia de Carvalho Soares, que fez a sustentação, recebeu quase R$ 300 mil em apenas três meses de 2025.
Os contracheques mostram que, ao longo do ano, os valores mensais passaram com folga dos R$ 40 mil. Em dezembro, chegaram a mais de R$ 113 mil — mais que o dobro do teto constitucional. Nada que combine muito com a imagem de precariedade descrita na fala dramática ao STF.
O contexto também pesa. O julgamento discute justamente a limitação de supersalários e o corte de verbas indenizatórias que estouram o teto. Ou seja, a defesa dos benefícios veio acompanhada de uma vitrine involuntária: a dos próprios rendimentos.
No fim, a comparação é inevitável. Entre o discurso da falta de café e a realidade dos contracheques, o que ficou mais forte foi o contraste. Porque, na política — e no Judiciário — poucas coisas sobrevivem quando o holofote encontra a folha de pagamento.