Pressa suspeita
26/02/2026 17:31
A novela da Celepar ganhou mais um capítulo — e daqueles que levantam sobrancelhas. Mesmo com a decisão do ministro Flávio Dino suspendendo a privatização, o governo Ratinho Júnior assinou um aditivo de R$ 236 mil com a Ernst & Young, consultoria que assessora a venda da estatal. Tradução: o freio foi puxado em Brasília, mas o motor seguiu ligado em Curitiba.
O gesto não passou despercebido. Ao avançar no contrato mesmo após a ordem do STF, o governo alimenta a percepção de que há pressa — e pressa, na política, sempre convida desconfiança. Ainda mais quando se trata de uma empresa que concentra dados sensíveis do Estado e da população.
A decisão de Flávio Dino não veio do nada. Ela responde a uma ação que questiona a constitucionalidade da venda e levanta dúvidas sobre a compatibilidade da privatização com a Lei Geral de Proteção de Dados. Em outras palavras, não é só uma disputa ideológica. É também jurídica.
Ao insistir em manter a engrenagem girando, o governo corre o risco de transformar uma discussão técnica em crise política. Porque, quando uma privatização começa a andar na contramão de uma decisão do Supremo, o debate deixa de ser apenas sobre gestão. Passa a ser sobre limites. E sobre quem está disposto a testá-los.