A conta que ninguém quer abrir
25/02/2026 17:16
Nos bastidores da política paranaense, um número começa a circular com insistência e desconforto: R$ 132 bilhões. É o tamanho da renúncia fiscal acumulada ao longo dos dois mandatos de Ratinho Júnior, segundo levantamento da agência Livre.Jor com base em dados enviados pelo próprio governo à Assembleia. Corrigido pela inflação, o valor passa dos R$ 148 bilhões. Não é dado de adversário, nem planilha de militante. Está nas LDOs votadas ano após ano, sem grande barulho.
O problema não é a existência de incentivos, prática comum em qualquer governo. O problema é a escala e, principalmente, a ausência de debate público proporcional ao impacto. Renúncia fiscal é escolha política, define quem ganha fôlego e quem fica sem recurso. Cada bilhão que deixa de entrar tem destino implícito: ou vira estímulo econômico ou vira ausência de investimento em outra ponta.
A conta agora começa a aparecer no radar político num momento sensível, com sucessão em aberto e o governo vendendo a imagem de gestão eficiente. Números desse tamanho costumam ficar bem escondidos nos anexos das leis. Mas, quando saem da planilha e entram na arena pública, viram combustível de discurso e munição de bastidor. E aí não tem marketing que resolva sozinho.