Barraco na câmara

24/02/2026 17:51

O episódio desta semana na Câmara de Cascavel, protagonizado por Dr. Lauri e Fão do Bolsonaro, é um desses casos em que o silêncio institucional diz mais do que qualquer discurso inflamado. Em poucos minutos, o plenário deixou de ser espaço de divergência política e virou palco de acusações cruzadas que ainda ecoam para além das paredes da Casa. Nem o desligar dos microfones e das câmeras na transmissão ao vivo foi suficiente para conter o impacto. Quando a transmissão cai, a atenção aumenta. E o que se ouviu ali — ainda que parcialmente — foi suficiente para acender o alerta. Não se tratou de troca de farpas corriqueira, mas de denúncias graves, lançadas em público, diante de colegas, servidores e cidadãos. O ponto central não é o embate em si, mas o conteúdo das acusações. Em qualquer parlamento sério, palavras ditas em plenário têm peso. Quando envolvem suspeitas, insinuações ou acusações diretas, deixam de ser retórica e passam a exigir resposta. Não para alimentar a polêmica, mas para preservar a credibilidade institucional. Provas? Por enquanto, nenhuma veio à tona. Mas o que foi dito não se desfaz com o fim da sessão nem com o corte da transmissão. Há sempre registros, testemunhas e, sobretudo, interesse público. Não faltarão olhos atentos para verificar se o que foi dito é calúnia, exagero ou algo que demande apuração mais profunda.