E os empregos?

24/02/2026 16:53

No meio do tiroteio retórico contra o pedágio eletrônico, um detalhe chamou atenção no plenário da Assembleia Legislativa do Paraná: sobrou até defesa para os cobradores de praça. Em meio à gritaria contra tarifas, multas e pórticos, um deputado resolveu puxar o freio e lembrar que o debate não é só sobre tecnologia — é sobre gente. A preocupação apareceu quando se discutia a substituição das cabines pelo chamado free flow. No meio das críticas ao modelo, veio o argumento quase fora de script: e os empregos? Em um plenário acostumado a discutir concessões em termos de bilhões e contratos, a lembrança dos trabalhadores soou como freio humanizador num debate dominado por números. É curioso porque esse tipo de discurso costuma vir da oposição clássica a privatizações. Mas, ali, apareceu num contexto mais difuso, quase transversal, mostrando que o pedágio virou pauta que embaralha rótulos ideológicos. Quando o assunto bate no bolso — ou no emprego — a régua muda. No fim, a cena resumiu bem o momento político: deputados atacando o modelo, concessionárias virando vilãs e, no meio do caminho, um lembrete de que toda inovação tem CPF. Entre a promessa de tecnologia e a realidade das estradas, alguém resolveu lembrar que automatizar também desemprega. E isso, em plenário, ainda pesa.