Racha no clã

23/02/2026 17:10

Se alguém ainda tinha dúvida de que a direita brasileira entrou em modo guerra civil, o fim de semana tratou de esclarecer. Carlos Bolsonaro resolveu abrir o jogo e expôs aquilo que já corria em off: o PL virou campo minado — e a disputa agora é dentro de casa. O vereador acusou o próprio partido de estar “organizado” para atacar os filhos de Jair Bolsonaro. Não é frase jogada ao vento. Vem na esteira de uma briga pública envolvendo aliados de Nikolas Ferreira, Pablo Almeida e um vídeo de Eduardo Bolsonaro que reacendeu a tensão interna. O que era ruído virou declaração de guerra. A fala de Carlos tem peso porque quebra um pacto tácito do bolsonarismo: divergências existiam, mas raramente eram assumidas com tanta nitidez. Ao dizer que há tentativa interna de “explosão” do nome que levou o partido ao tamanho atual, ele aponta para algo maior que uma rusga — sugere disputa por herança política. O contexto torna tudo mais delicado. Com Jair Bolsonaro fora do jogo eleitoral e envolto em problemas judiciais, o campo conservador vive uma fase de reorganização. E reorganização, em política, costuma significar disputa por protagonismo. A reação veio rápida. Parte da base bolsonarista acusou oportunismo, e nomes como Mario Frias entraram no embate. O tom subiu, como costuma acontecer quando a briga deixa de ser contra adversários externos e passa a ser pelo comando do próprio grupo. No fim das contas, o episódio revela algo que já vinha se desenhando: o bolsonarismo entrou na fase pós-liderança única. E quando um movimento político deixa de ter um eixo central, a tendência é clara — fragmenta. O que se vê agora não é apenas mais uma polêmica de rede social. É o retrato de uma sucessão em andamento, ainda que ninguém admita oficialmente.