Celepar e o desmentido
21/02/2026 10:09
O presidente do Serpro, Wilton Itaiaguara Gonçalves Mota, afirmou sem rodeios: não há contrato entre a estatal federal e o governo do Paraná para migrar dados da segurança pública — etapa tratada como peça-chave no enredo que sustenta a privatização da Celepar.
A declaração foi dada em entrevista ao jornalista Luiz Queiroz, do Capital Digital, e bate de frente com a versão apresentada pelo governo estadual ao Tribunal de Justiça do Paraná. Na tentativa de derrubar a cautelar do conselheiro Fábio Camargo, do TCE-PR, que suspendeu a privatização, o Executivo citou a tal “nuvem soberana” do Serpro como carta na manga.
Agora, a carta se revela blefe. Se não há contrato, não há ponte pronta, não há solução contratada — há, no máximo, intenção vendida como fato consumado. E aí o debate deixa de ser técnico e passa a ser político, como quase sempre acontece quando a pressa em privatizar atropela a cronologia dos fatos.
O desmentido não encerra a discussão sobre a Celepar, mas desmonta uma peça importante da narrativa oficial. E, convenhamos, quando a história começa a perder sustentação nas próprias premissas, o mínimo que se espera é uma boa explicação — não um novo roteiro improvisado.