Roberto dá nome aos bois

19/02/2026 15:29

Na tribuna da Câmara de Toledo, o vereador Roberto de Souza fez um daqueles discursos que não deixam margem para ambiguidade. O alvo tem nome e sobrenome: Ratinho Júnior. Para o parlamentar, o governador deveria dizer claramente aos produtores rurais que a privatização da Copel, em 14 de fevereiro de 2023, está na raiz de uma série de prejuízos enfrentados no campo. A crítica é direta e personalizada. Segundo ele, o chefe do Executivo estadual deveria assumir a responsabilidade pelas falhas no fornecimento de energia em áreas rurais — com relatos que incluem equipamentos queimados, perdas na produção e até mortandade de peixes. Na lógica apresentada, a venda da estatal não foi apenas uma decisão econômica, mas um divisor de águas que teria agravado a vida de quem produz. O vereador amplia a cobrança ao lembrar que os problemas do interior não se resumem à energia. Estradas rurais em más condições, dificuldade de escoamento da produção e transporte escolar precário entram na conta. Ainda que reconheça alguma melhora pontual, sustenta que a realidade do campo continua distante das prioridades do governo. Há também um recado político mais simbólico. Ao evocar a antiga Emater, o parlamentar resgata a ideia de um Estado mais presente, com assistência técnica e extensão rural atuantes. A lembrança funciona como contraste com o modelo atual, que, na visão dele, deixou o produtor mais exposto e menos assistido. No fim, o discurso deixa clara a linha adotada: vincular diretamente as dificuldades do campo à agenda de privatizações do governo Ratinho Jr. É uma cobrança que não pede nuances — e que transforma a Copel em emblema de um debate maior sobre o papel do Estado no interior do Paraná.