Mandato premium

17/02/2026 01:14

Na política brasileira, sempre aparece uma novidade — e Curitiba acaba de ganhar uma. O vereador Gui Kilter resolveu dar um passo além do tradicional gabinete e entrou no universo dos infoprodutos. Lançou uma comunidade por assinatura, com direito a conteúdo exclusivo, acesso restrito e aquela aura de bastidores que não cabem na timeline. O produto tem proposta clara: uma comunidade digital que promete explicar “como a esquerda pensa”, destrinchar narrativas e ensinar respostas rápidas para debates ideológicos. Tudo embalado em linguagem direta, com estética de marketing político versão streaming. O acesso? Popular: cerca de R$ 29 por ano, preço de aplicativo freemium — só que com sotaque parlamentar. O vereador, segundo as próprias mensagens divulgadas, vende a ideia de um espaço onde pode falar coisas que, nas redes abertas, talvez gerassem ruído. Um ambiente mais reservado, mais íntimo, quase um clube fechado de interpretação política, com login, senha e senso de pertencimento. É a política acompanhando o espírito do tempo. Se já tivemos mandato itinerante, gabinete virtual e vereador tiktoker, agora surge o vereador creator. Um modelo híbrido: metade tribuna, metade comunidade online. O eleitor continua sendo eleitor, mas também pode virar assinante. No fim das contas, fica a curiosidade sociológica: estamos vendo apenas mais um experimento da política na era das plataformas ou o nascimento de um novo formato de relação entre representante e público — com direito a conteúdo exclusivo, recorrência anual e, claro, botão de “entrar agora”?