Moro segue sem casa

16/02/2026 17:25

O noticiário político anda curioso — e revelador. Enquanto relatórios apontam o senador Sergio Moro liderando pesquisas para o governo do Paraná, a engenharia partidária parece mais movimentada do que as próprias intenções de voto. Há resistência interna na federação União-PP, conversas paralelas com o PL e até a hipótese de vice progressista na chapa. Em política, quando o mapa muda tanto, é sinal de que ninguém tem certeza de onde pisa. As pesquisas citadas mostram Moro à frente em cenários simulados, o que naturalmente o credencia a sentar à mesa com mais apetite. Mas liderança em levantamento não resolve a equação central: partido, palanque e alianças. Ainda mais num estado onde a indefinição sobre o futuro de Ratinho Junior embaralha todas as cartas e transforma cada movimento em cálculo de sobrevivência. No meio disso tudo, surge a costura mais previsível do mundo: aproximação com o campo bolsonarista, à espera do aceno certo. Não por convicção ideológica explícita, mas porque, como se sabe, vácuo político não existe — ele é ocupado. Se o governo não aponta sucessor e o partido hesita, alguém avança. No fim, a cena é clássica. Moro aparece bem nas fotos das pesquisas, mas a eleição não será decidida por números congelados em janeiro, e sim por quem conseguir transformar intenção em estrutura. E, como sempre, no Brasil, menos importante do que liderar hoje é saber com quem se estará amanhã. Política não é laboratório; é jogo de tabuleiro. E as peças ainda estão sendo movidas.