Enrosco eleitoral

13/02/2026 17:10

A corrida pelo Palácio Iguaçu começou cedo — e, como quase tudo na política brasileira, já mistura cálculo local com estratégia nacional. Nos bastidores, o senador Flávio Bolsonaro admite a interlocutores a possibilidade de apoiar Sergio Moro ao governo do Paraná em 2026, caso Ratinho Júnior opte por disputar a Presidência da República. Não é anúncio formal, mas, em política, às vezes basta o gesto. O movimento inclui até a hipótese de filiação de Moro ao Partido Liberal, legenda que concentra hoje a maior estrutura do campo bolsonarista. Se confirmada, a mudança mexe no tabuleiro paranaense: altera acordos costurados com o grupo de Ratinho e redesenha a disputa pelo Senado e pelo governo. Ratinho, ainda sem decisão pública sobre 2026, mantém o jogo aberto. Avalia o cenário nacional, mede o peso da polarização e testa a viabilidade de uma candidatura própria ao Planalto. Ao mesmo tempo, sabe que qualquer rearranjo no campo conservador no estado tem impacto direto na sua sucessão. Do lado de Moro, o caminho também não é linear. Dentro da federação União Brasil–Progressistas, há resistências e dirigentes que defendem alternativas. O Progressistas, inclusive, já sinalizou que pode lançar nome próprio. O resultado é um cenário típico de pré-campanha: ninguém oficializa, mas todos conversam. Porque, no Paraná de 2026, mais do que alianças ideológicas, o que está em disputa é espaço. E espaço, na política, raramente fica vazio por muito tempo.