Excesso de ruído

13/02/2026 17:05

A saída de Dias Toffoli da relatoria do caso Master não foi jurídica, foi política. Segundo apuração de Andréia Sadi, a reunião entre os ministros foi tensa, daquelas em que ninguém levanta a voz, mas todos entendem o recado. Toffoli resistiu. Não queria deixar o processo. Acabou convencido. O argumento central não foi impedimento formal nem suspeição. Foi desgaste. De imagem, de biografia e, sobretudo, do próprio Supremo Tribunal Federal. Havia ainda outro elemento sensível: o incômodo dos ministros com a atuação da Polícia Federal, que teria investigado o magistrado sem autorização judicial. O material chegou às mãos da Corte e elevou a temperatura. Para parte do tribunal, a linha foi ultrapassada. A solução construída teve cálculo cirúrgico: Toffoli não seria declarado suspeito — o que teria peso institucional —, mas se afastaria espontaneamente. Preserva-se o ministro, preserva-se o tribunal, evita-se a fotografia do conflito. A proposta partiu de Flávio Dino. Nos bastidores, foi lida como a única saída politicamente viável. Em Brasília, às vezes, não se troca o relator por falta de regra. Troca-se por excesso de ruído.