Pedágio clínico
12/02/2026 16:59
Há crimes que envolvem cifras milionárias, contratos mirabolantes, planilhas indecifráveis. E há os que cabem no bolso da calça. Literalmente.
Em Toledo, um ortopedista condenado a 10 anos de prisão pela Justiça do Paraná resolveu inovar na gestão do SUS: criou a modalidade “coparticipação informal”. Segundo o Ministério Público, pacientes teriam desembolsado entre R$ 50 e R$ 200 para realizar cirurgias que, em tese, já eram integralmente custeadas pelo sistema público.
Coisa singela. Nada que uma nota de cinquenta não resolva. Só que não.
De acordo com a denúncia, ao menos 11 pessoas foram cobradas entre 2015 e 2017. A justificativa apresentada seria a de custear instrumentistas, anestesistas e materiais hospitalares — itens que, por um detalhe técnico chamado lei, já são pagos pelo próprio SUS.
A defesa do médico não se manifestou. Já o Conselho Regional de Medicina do Paraná abriu processo ético, sob sigilo, e avalia eventuais sanções, que podem ir de advertência à cassação do registro.
No fim, fica a curiosidade administrativa: além da fila de espera, talvez fosse preciso avisar aos pacientes se o procedimento exigia cartão do SUS ou troco. Afinal, pelo visto, havia uma tabela paralela funcionando nos bastidores.