Racha catarinense

12/02/2026 16:49

Nos bastidores da direita catarinense, a temperatura subiu alguns graus — e não foi por causa do verão. O ex-vereador Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado, resolveu fazer política raiz: telefonema, pedido de desculpas, aceno público e um recado nada sutil ao próprio partido. Depois de visitar o pai, Jair Bolsonaro, em Brasília, ligou diretamente para o prefeito de Chapecó, João Rodrigues, do PSD, adversário declarado do governador Jorginho Mello, do PL. Perguntou, sem rodeios, se teria vaga ao Senado na chapa. E ouviu um “sim”. É o tipo de gesto que, em política, fala mais alto que discurso. Não é conversa de cortesia. É ensaio de deserção. Carlos ainda fez questão de relatar o diálogo ao próprio governador, praticamente colocando a faca sobre a mesa: se não for desejado, muda de lado. Traduzindo: ou me bancam, ou eu atravesso a rua. O movimento expõe duas fragilidades. A primeira é a disputa interna no PL por espaço numa chapa que já tem padrinhos demais — incluindo o senador Esperidião Amin, que busca reeleição, com apoio do comando nacional do partido. A segunda é o peso real de Carlos no tabuleiro: precisa ameaçar sair para se valorizar. Aliados tentam minimizar, classificando como “jogo de cena”. Pode ser. Mas, em ano pré-eleitoral, ninguém liga para adversário por nostalgia. No fundo, é uma típica negociação à moda Bolsonaro: tensão calculada, recado público e pressão máxima. Em Santa Catarina, a direita ainda é majoritária — mas, pelo visto, está longe de ser unida.