CCJ como escudo
06/02/2026 15:45
O ex-ministro das Comunicações do governo Lula, deputado Juscelino Filho, decidiu que precisava de um “upgrade” institucional. Não por vocação jurídica, nem por súbito amor à Constituição. Segundo apuração da coluna de Igor Gadelha, o objetivo é mais prosaico: assumir a presidência da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara para, vejam só, “limpar o nome”.
Sim, é isso mesmo. A CCJ como lavanderia.
Juscelino teria procurado o líder do União Brasil, Pedro Lucas, pedindo para desbancar o colega Leur Lomanto Júnior, já escolhido pela sigla, e ficar com o posto. A justificativa, segundo parlamentares do próprio partido, é que ele estaria “apagado” na Casa e precisaria de vitrine depois da saída conturbada do ministério.
Conturbada é um eufemismo elegante. Ele deixou o cargo após ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República em investigação sobre desvio de emendas no Maranhão. Nega as irregularidades, claro. Todo mundo nega. Brasília é a capital mundial da inocência seletiva.
O detalhe incômodo é que a presidência da CCJ não é cargo decorativo. É a comissão que filtra a constitucionalidade das leis, analisa PECs e até questões envolvendo prisão de deputados. É, talvez, o posto mais sensível da Câmara.