Censura não colou
05/02/2026 15:05
Tem gente que processa por honra. Outros, por dinheiro. E há quem processe por barulho.
O apresentador Ratinho decidiu acionar a Justiça contra o Facebook e contra Gabriel Bertolucci, ex-candidato a vereador, pedindo a remoção de vídeos que o ligam ao resort Tayayá e a um emaranhado societário que incluiria a SM Holding, fundos associados ao Banco Master e, por tabela, relações nada republicanas. Pediu urgência. Queria sumir com o conteúdo no grito.
O Tribunal de Justiça do Paraná respondeu com a elegância dos fatos: calma lá.
Negou a retirada imediata em duas instâncias. Traduzindo do juridiquês: censura prévia, não. O mérito ainda será julgado, claro, mas apagar primeiro e perguntar depois não combina muito com Estado de Direito, ainda que incomode celebridades políticas.
Bertolucci fala em vínculos empresariais, investimentos cruzados, Banco Master, silêncio conveniente sobre escândalos locais. Ratinho rebate com o kit padrão: ataques, fake news, adversário querendo palco eleitoral. É o velho duelo brasileiro entre “denúncia bombástica” e “perseguição política”.
O ponto curioso é outro: se é tudo tão fantasioso assim, por que a pressa em derrubar o vídeo? Quem confia na própria biografia costuma preferir o debate à mordaça.
No fim, a Justiça fez o óbvio ululante: deixou o conteúdo no ar e o contraditório aberto. Em democracia, reputação se defende com fatos, não com o botão “delete”.